Condicionamento físico/corrida de rua
Bom dia!
Uma prima, que está tentando ingressar no quadro de Oficiais temporários do Exército, pediu que eu falasse sobre como é o treinamento físico dentro das Forças. Vou responder, é claro, pela Força Aérea e aproveitar para contar sobre o meu ingresso no mundo da corrida de rua.
Nós militares somos obrigados, pela natureza da missão, a manter a capacidade física apurada. Somos submetidos anualmente a testes de avaliação do condicionamento físico, destinados a avaliar o nível de treinamento e prontidão física da tropa, que valem para a avaliação geral da carreira do militar. Há uma Organização Militar (OM) específica para isso, a Comissão de Desportos da Aeronáutica, que por sua vez abriga um instituto de pesquisa sobre o tema. Tudo muito bem regulamentado. Porém..
Na prática, o treinamento físico dentro das diversas OM depende muito do Comandante. Essa é a realidade. As normas internas determinam que a responsabilidade pelo treinamento é compartilhada, organização e indivíduo. No fim das contas, é o próprio militar, na maioria das vezes, que se preocupa com a sua preparação. A maioria, infelizmente, treina para "passar no TACF".
Quando falo da responsabilidade do Comandante, posso afirmar que sempre que o Comandante tomava a frente dos treinamentos, participando ativamente das instruções e incentivando a tropa, o resultado geral era muito melhor. Quando ele/ela, mesmo mantendo o próprio condicionamento em dia, não participava dos treinamentos previstos, havia um relaxamento natural dos subordinados. Há exceções, é claro. Os pilotos de caça, as equipes de resgate e as tropas mais especializadas geralmente possuem programas de treinamento mais exigentes.
Quanto a mim, confesso que até determinado momento da carreira segui no "vai na valsa". Comandante a bordo, estou dentro, comandante fora, amanhã eu treino. O bom disso tudo é que o tempo passa e a maturidade chega (vou fazer um post sobre o tempo). Quando assumi o Comando do 3º/8° GAv (Terceiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação), esquadrão de helicópteros hoje situado em Santa Cruz, Rio de Janeiro, implantei, em conjunto com um companheiro de turma, Coronel Gilvan Vasconcelos da Silva, PhD em biomecânica, um programa de condicionamento destinado a preservar principalmente a coluna vertebral, sempre judiada pelas vibrações inerentes ao voo em helicópteros. O resultado imediato foi muito bom. Alguns militares, sedentários, passaram a apresentar sensível diminuição dos afastamentos por motivo de saúde. Desta época também é o início da minha relação com a corrida de rua.
Olhem bem a foto do gordinho aí do lado. É de 2002. De lá pra cá, passei a me preocupar muito mais com a prática de exercícios com a única finalidade de "não tomar remédio", cuidar da saúde. Não tenho nenhuma vontade de virar atleta. Em agosto de 2010 fui indicado para exercer o Comando do Corpo de Alunos da EEAR. Comentei com a Alessandra que queria correr com os alunos. Passei a treinar. No começo, não passava de quinze minutos de corrida lenta. Com o tempo fui melhorando. A corrida é chata, mas ao final a sensação é muito boa. Ao assumir o novo cargo, implantei o "Corridão do Coronel". Na última sexta-feira do mês, antes do licenciamento para o final de semana, fazia uma corrida com todo o CA. As distâncias iam aumentando a cada mês. Novamente excelentes resultados e o despertar de muitos atletas escondidos.
Nesta batida, continuei correndo. Já foram mais de 50 corridas de rua, com destaque para 3 São Silvestre, 5 10Km Tribuna (Santos), 2 Santos Run e outras tantas. Como falei, quando a gente começa a correr, dá vontade de xingar todo mundo. Aos poucos, passado o primeiro quilômetro, a sensação vai melhorando e dá gosto chegar ao final. O melhor de tudo é manter-se longe da farmácia, risos. Com a passagem para a reserva, passei a dedicar-me também à musculação, com o meu personal afilhado Felipe Ferreira (contato no privado). Faz diferença. As dores e o cansaço diminuem muito. Eu e a Alessandra temos procurado manter a rotina. Aqui em casa é fácil. Não há nada como correr na beira da praia e tomar uma água de côco depois.
Espero ter ajudado a motivar os "preguiçosos". Seguem algumas fotos e um vídeo com minha despedida do corridão da EEAR.
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Eu, minha linda editora, Felipe e o velho Jayme |
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Com o pessoal da EEAR |
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São Silvestre |
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10K Tribuna |
Nossa! Eu sou daqueles que treinam com a preocupação de passar no TACF. Sonho um dia ser assim como vcs, corredores de gosto. Muito bom o texto! Vdd que nos motivamos bem mais quando o mais antigo dá o exemplo.
ResponderExcluirVou tentar melhorar em 2020 e virar uma corredora de, pelo menos, 2km. Rs
Legal só não gostei do velho Jayme poderia ser idoso,tambem sou atleta.kkkk.
ResponderExcluirOpa! Obrigada pelas preciosas dicas...
ResponderExcluirEstou tentando e espero conseguur. Percebi que tudo começa com a atividade física! Nunca é tarde pra correr atrás do prejuízo!
👏👏👏👏👏 Parabéns... VC.está mostrando de um tudo no seu Blog...Estou adorando...Bjs.pvc.e sua editoraaa...
ResponderExcluir👏👏👏
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